
Nascida em São Bernardo do Campo, SP, em 1 de Dezembro de 1934, descendente de imigrantes italianos, sírios e suíços. Desde criança, na São Bernardo dos anos 40, observava seu pai Orlando Setti, designer têxtil de estampas, que com grande habilidade, como hobby, “brincava” com formas geométricas e cores criando recortes em papel e esculturas de arame e latas, despertando na pequena Odiléa o olhar artístico que norteou sua vida toda.
Premiada na 1ª Bienal Internacional do Livro e das Artes Gráficas de São Paulo, em 1961, desenvolveu uma linguagem gráfica caracterizada por um desenho expressivo em contrastes de preto e branco feitos com nanquim, abstraindo a "geometria" inspirada nos tecidos do seu pai, com grande desenvoltura.
Trabalhou também com linguagens e texturas com a técnica de “carimbo”, criando nuances, volumes e preenchimentos utilizando as mais variadas matrizes, “imprimindo” suas texturas com nanquim, em diversas cores.
A geometria e a busca pelas cores definidas e contrastantes levou Odiléa a trabalhar com técnicas de preenchimento como Letrafilm e textos Letraset, onde seus desenhos a mão livre encontraram o contraponto ideal, mesclando traços livres com a rigidez de limites definidos e traços/letras/palavras/cores/superposições, que em muitos trabalhos transmitiam também mensagens textuais, com viés de cartazes e ilustrações com temas definidos.
Dona de um vasto trabalho em ilustração, entre eles as capas da revistas Visão, artigos para os fascículos Nossas Crianças, Revista Bondinho, Saúde, Destino, fez o projeto gráfico e ilustrações das cartilhas para Prefeitura de São Bernardo e São Paulo, ainda ilustrou diversos livros: Histórias Diversas (Monteiro Lobato, editora Brasiliense,1959), Robin Hood (tradução Monteiro Lobato, editora Brasiliense, 1959), Cozinha para Brincar, (Nestlé, 1970), Criatividade em LÍngua Portuguesa ( McGraw Hill, 1977, 1978), A Flauta Mágica (Ruth Rocha, editora Callis, 1994), projeto gráfico do livro de João Walter Toscano (Editora UNESP e Instituto Takano, 2002)
Utilizou a mesma abstração da linguagem gráfica nos painéis do metrô de São Paulo distribuídos pelas estações: Paraíso, São Bento, Jabaquara, Santana, sendo atualmente a artista que possui o maior número de trabalhos no Metrô de São Paulo. Ainda executou diversos painéis particulares residenciais e comerciais: Centro de Convenções de Serra Negra, Air France (Rio de Janeiro e Buenos Aires), Bar Cinzano, Clube Recreativo de Assis, Farmácia Drogamérica, Residências : Garcia, Resende, Minelli, Chebel, Castro Lima.
A facilidade e domínio dos traços e equilíbrio das massas fez de Odiléa também uma grande arquiteta paisagista, assinando diversos trabalhos do escritório João Walter Toscano Arquitetos Associados, premiados mundialmente tais como Centro de Convenções de Serra Negra, balneário de Águas da Prata, Praça da Independência do Museu do Ipiranga entre dezenas de trabalhos feitos.
Faleceu em 2015, em São Paulo aos 80 anos. Do desenho, da ilustração a intervenção na arquitetura, passando pelos primorosos textos sobre os mais variados temas, Odiléa mostrou-se uma artista completa com grande sensibilidade, criatividade e percepção.